[Análise] Kardnarök

Análise do jogo Kardnarök

Título: Kardnarök (2020)

Idade Recomendada: 10+

Duração média da partida: 80 min

Número de jogadores: 2 a 4 jogadores

Designer: Alexander Francisco

Artista: Alexander Francisco

Editora: On The Table Jogos

"“Depois de rodadas de intensos combates, negociação com reinos mercenários, enfrentando as dificuldades do Ragnarök, o reino que conseguir mais riquezas será o soberano de Midgard sob a proteção iluminada do deus Balder ressuscitado! ”

Kardnarök é um jogo de cartas baseado na mitologia nórdica, que foi elaborado pelo brasileiro Alexander Francisco e lançado após seu financiamento coletivo em janeiro de 2021.
O jogo possui uma dinâmica altíssima, com combates em todas as rodadas, altíssima interação entre jogadores, permitindo união, barganhas e traições, tudo isso sem perder sua essência temática.

Vamos à análise!

Resumo do jogo:

A preparação de Kardnarök possui somente algumas etapas:

1º Separa-se todos os componentes, como cartas de guerreiro, nornas e heróis, moeda, tabuleiros do jogador, contador de pontos, etc, e os dispõe no centro da mesa.

2º Cada jogador receberá um kit com 2 heróis, tabuleiro do jogador, fichas de rituais, marcador de defesa e moedas de bronze iniciais. Todo o restante do jogo, será adquirido/perdido entre as rodadas.

Isso é seu, o resto você espera!

3º Em cada rodada, revela-se um Cartão de Ragnarök. Este cartão define todas as “regras” da rodada, tais como: quantia de cartas iniciais na mão, poderes adicionais, obstáculos, etc.

Cada cartão, é um capítulo da história do Ragnarök!

4º Cada jogador pegará uma moeda de prata da sacola e a colocará em seu tabuleiro. Isto é o que representa o valor da sua cabeça.

Em seguida, cada jogador prepara - secretamente - seu exército com a seguinte combinação de cartas 1 Herói + 0~2 guerreiros.

Que os jogos comecem.

O combate de Kardnarök é bem simples:

O jogador da vez escolhe quem irá atacar e ambos se preparam para o combate:

Ambos escolhem um ritual sagrado para executar (isso lhes concederá um bônus), revelam os exércitos e realizam a contagem de poder de ataque/defesa. O maior valor vence o combate e leva pra casa a moeda de prata do adversário.

É isso.

O vencedor escolhe um dos guerreiros para descartar (#morreu). O perdedor fica somente com o herói vivo.

Em seguida, os jogadores repõem as cartas na mão até ficarem com o máximo estipulado pelo cartão Ragnarök (aquele lá no começo), remontam os exércitos e, quem perdeu a moeda de prata, ganha uma nova.

O turno se encerra, e o próximo jogador escolhe um novo alvo para combate.

Feito duas rodadas completas, o jogo acaba e vence quem tiver a maior soma de moedas de prata.

Onde o jogo fica interessante:

Os guerreiros e heróis são bem fáceis, né? Basta colocá-los em campo, fazer uma continha básica e ganha o maior número.

Cada guerreiro/herói possui uma habilidade e uma runa, que funciona como uma espécie de naipe. Com isto, é possível que alguns guerreiros ganhem bônus no ataque/defesa em determinadas combinações.

Dá pra sair combando legal.

Explicamos os Heróis e os Guerreiros, que formam o esqueleto do combate mas, o ponto mais louco vem agora: as NORNAS. Elas funcionam como uma espécie de c̶a̶r̶t̶a̶ ̶a̶r̶m̶a̶d̶i̶l̶h̶a̶ mágica instantânea, que podem ser jogadas antes ou depois dos exércitos se revelarem e possuem efeitos bem diversos.

Agora conheceremos o jogo pra valer.

Elas não possuem custo algum (apenas algumas restrições), mas possuem a função básica de deformar o combate simples e criar o caos na mesa.

Outro ponto bem interessante em Kardnarök é o mercenarismo, que nada mais é que ̶i̶m̶p̶l̶o̶r̶a̶r̶ ̶p̶o̶r̶ ̶a̶j̶u̶d̶a̶ negociar com os demais jogadores. Os jogadores em combate são livres para barganhar por um auxílio durante o combate. Funciona de um modo bem simples: quem estiver perdendo pode oferecer moedas de bronze em troca de ajuda que, geralmente, vem em forma de cartas de Norna (no máximo duas). Um ponto importante aqui: o contratante só paga ao mercenário as moedas de bronze que foram acordadas caso ele vença o combate. Em caso de derrota, o mercenário contratado não recebe as moedas de bronze.

Por último, mas não menos importante, ressaltamos que os combates de Kardnarök são estimulados de um modo simples e eficaz: as cartas na mão de cada jogador, são repostas a todo momento.

  • É possível atacar, gastar tudo que for possível, e repor a mão no final (ganhando ou perdendo).
  • É possível ajudar os outros jogadores e, independente do resultado, repor a mão novamente.

Ou seja, em Kardnarök não existem motivos para ficar na sua e esperar o jogo acabar.

Descrição física do jogo:

Peso: 0.80kg Dimensões: (06cm x 24cm x17cm)

Uma caixa retangular bem firme e compacta, do mesmo tamanho que o Carcassonne, com a diferença de que ela fica bem fechada (quem tem, sabe).

Couberam todos os componentes na caixa, mesmo com sleeves, contudo, é necessário remover o berço de papel que vem.

Cartas: 118 (63.5 mm X 88.0 mm) e 25 (80.0 mm X 120.0 mm)

A arte das cartas é criativa, carismática e muito bem feita! Utilizaram uma fonte clara e com escrita objetiva. Os sleeves padrão são muito fáceis de achar e os tamanho Gold, são os mesmos de Dixit.

Outros itens:

01 Cartão Contador de Forças

21 Moedas de Prata

20 Moedas de Bronze

12 Fichas de rituais

04 Cubos marcadores de defesa

01 Meeple de primeiro reino (PR)

01 Meeple de ataque (vermelho)

01 Meeple de defesa (azul)

Ênfase nos meeples guerreiros nórdicos!

Prós:

  • Party Game bem dinâmico e tematizado.
  • Todas as cartas possuem um QR Code, que levam os jogadores para uma página especialmente criada para apresentar a história de cada coisinha presente.

Imersão e didática.

  • Rejogabilidade altíssima, pois depende da combinação de muitas coisas: capítulos do Raganarök, heróis que vierem na mão, alianças e traições, etc.
  • Possui uma variante para 2 jogadores, muito legal e acirrada.
  • Possui uma segunda variante mais temática ainda, que envolve as armas mágicas!!

  • Possui modo campanha, que faz com que o jogo fique mais longo e permite que os jogadores explorem mais da história do Ragnarök.
  • O preço de R$ 120,00 é muito bom! O jogo tem MUITAs cartas, muitos componentes pequenos, tais como moedas e marcadores, além de uma conexão externa feita exclusivamente para conhecermos um pouco mais deste tema incrível.

Contras:

  • Dependência de idioma moderado. O jogo não tem muita coisa escrita, mas é essencial que se leia carta-a-carta a todo instante.
  • Existe um sistema de simbologia bem legal e temático, que identifica o que a carta faz ou deixa de fazer, e as Runas, que funcionam como Naipes. Porém, achamos que o estilo de desenho das Runas é ligeiramente complexo.

Não é nenhum bicho de sete cabeças, mas poderia ser algo mais simples ou identificado por cores (além do formato existente).

  • É necessário ler bastante coisa. Mesmo que as cartas tenham no máximo 3 linhas de escrita, o fluxo de cartas é intenso, obrigando os jogadores a lerem muita coisa, a todo momento e, por consequência, afastando alguns jogadores.
  • O manual de instruções é um livrão excessivamente detalhado.

É uma característica positiva, quando consideramos aqueles manuais terríveis, que não servem pra nada e precisamos recorrer aos gameplays. Por outro lado, é um manual bem impactante, se esperarmos um jogo light e descontraído, com manual rápido e com poucas páginas.

  • O setup pode ser um pouco demorado, tanto no início da partida, como entre as rodadas.

Opinião pessoal:

Kardnarök se mostrou um prato cheio para amantes da mitologia nórdica, saudosistas do MMORPG Ragnarok, jogadores de TCG mais tradicionais e para os amantes de Munchkin e treta infinita.

Apesar do manual gigante, e do setup um pouco extenso, é um jogo que se desenrola rápido com a presença de alguém já experiente. Dito isto, não imaginamos um grupo de crianças de 10 anos (faixa etária indicada), abrindo o jogo e desbravando o manual sozinhas. Um grupo de pré-adolescentes, com 13+ tem maior probabilidade de êxito nessa missão. Além de ser uma faixa etária mais indicada para o aprendizado da mitologia em questão.

Com combates realmente constantes, alto fluxo de cartas e interação entre os jogadores, rica em barganhas, alianças e traições, Karnarök mantém o clima da galera lá no topo! Uma das melhores partes, é não haver eliminação de jogadores. Ou seja, a treta é de mesa cheia até o último segundo!

Por enquanto é só!

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