Solo - Avaliando os Robôs / IAs / Automas que já testei

Olá, pessoas queridas!

Ainda me considero um noob no universo dos jogos solo. Mas mesmo assim gostaria de compartilhar minhas experiências com os “oponentes artificiais”, os famosos robôs, bots, automas ou I.A.s. Eles:

  • Simulam um oponente, e nos permitem jogar jogos competitivos de forma solitária.
  • São “gerenciados” pelo jogador solo, e idealmente funcionam de forma mais simples do que um jogador normal.
  • Podem estar inclusos no próprio jogo, em alguma expansão, disponíveis digitalmente ou mesmo criados por fãs do jogo não-oficialmente.
  • Idealmente possuem diferentes níveis de dificuldade.
  • Possuem nomes diferentes em cada jogo, como os Automas (os criados pela Automa Factory) ou algum nome temático do jogo como a Axomama do tawantinsuyu-o-imperio-inca ou o Robot do race-for-the-galaxy-the-gathering-storm . Para simplificar, vou usar o nome genérico robô.

Existe meio que um consenso entre os jogadores solo que quanto mais simples de gerenciar, melhor o robô. Bem, isto não está errado, mas é relativo. Existem jogos que, por sua natureza, requerem um fluxograma complexo de decisões para o robô, como o terracotta-army que joguei recentemente. Eu diria assim: a expectativa da simplicidade do robô precisa ser ajustada de acordo com o que se espera dele. Não tem como fazer um robô que resolva seu turno em 5 segundos para um jogo complexo como o projeto-gaia , mas também seria um absurdo se o robô do wingspan demorasse 3 minutos para jogar cada turno.

Por fim, listei apenas robôs que simulam oponentes, interferindo no estado do jogo e competindo com o jogador solo. Eles podem ganhar o jogo se pontuarem mais do que o jogador, ou o derrotarem de alguma outra forma. Não incluí nessa lista “oponentes” que, apesar de interferir no jogo, não podem vencer o jogador (como o do forest-shuffle-exploration ). Também não vou incluir oponentes de jogos ou modos cooperativos (como o do marvel-united ) , já que são nestes casos o jeito padrão de jogar.

Vamos para a lista!

Como foi jogar contra o robô: :star: não gostei | :star::star: gostei | :star: :star: :star: adorei

Robôs de Baixa Manutenção

  • Em Busca do Planeta X: Este jogo, mesmo com mais jogadores, requer um app para rodar. No solo, o app gerencia o robô, então é bem simples. O robô joga um pouco diferente de um outro jogador, mas a interação com ele é ótima de qualquer maneira, e dá pra pegar pistas baseado nas ações dele. Joguei duas vezes contra ele e ainda não ganhei. :star::star::star:
  • Fantastic Factories: Este robô simplesmente rola os dados e, de acordo com os resultados, faz uma ação simples. Interessante é que ele vai ficando mais forte conforme a partida progride. Tem diversos níveis de dificuldade também. :star::star:
  • Heat: Pedal to the Metal: Este robô impossível foi concebido da melhor maneira possível. Aqui você escolhe quantos oponentes quer ter (no solo, escolho todos os cinco), vira uma carta e anda os carrinhos deles de acordo com os números da carta e a posição deles. Quase instantâneo, e simulam bem outro(s) jogador(es) pilotando. E ainda dá pra colocar os robôs no modo multijogador, deixando sempre a corrida com o máximo de seis carros. Genial! :star::star::star:
  • Let’s Go! To Japan: Quase não coloquei este, mas acho que conta. Neste jogo o robô em si não faz nada, é o jogador que decide quais cartas vai ficar e quais (e em qual ordem) vai passar para o robô. Ou seja, manutenção zero, exceto no final que precisa contar os pontos do oponente. :star::star::star:
  • Meadow: Usando os componentes dos jogadores que não estão no jogo, o robô vai pegando cartas e bloqueando espaços. Bem simples, apenas achei um tanto randômico (mas também não sei como seria diferente mantendo a simplicidade). :star::star:
  • Mycelia (Ravensburger): Aqui o robô tem um baralho próprio que determina o que ele vai fazer. Ele joga de forma simplificada, eliminando suas gotas (o objetivo do jogo) e às vezes renovando as cartas disponíveis. :star::star:
  • Noctiluca: Aqui o robô representa uma tempestade, e vai pegando dados e fichas de pontuação seguindo uma pequena mudança no baralho do jogo. Faz o turno dele em alguns segundos, e no final ele subtrai pontos do jogador - é um pouco diferente, mas ainda achei que dá a sensação de um oponente. :star::star::star:
  • Turing Machine: Esse é outro que fiquei na dúvida se contava. No solo, você joga normalmente o jogo - e no caso do solo, precisa do app/site para o setup. Após descobrir o código e terminar a partida, o app te conta se você venceu o robô de acordo com o seu desempenho (ficando parecido com o modo competitivo, já que ele é um jogo multiplayer solitário). Ou seja, manutenção zero, mas o robô ainda pode ganhar de você. :star::star::star:

Robôs Médios

  • Expeditions: Mais um belo Automa da Atuoma Factory. Neste caso, o oponente controla dois mechas que ficam varrendo a parte mais distante do mapa, roubando recursos e revelando tiles. Pena que o jogo em si não me agradou tanto. :star::star:
  • Grasse 2e: O oponente usa um baralho de uma expansão (se não me engano, já inclusa no jogo base), mas senti falta de um baralho dedicado ao solo para dar mais inteligência ao robô. Ele é muito aleatório e muitas vezes faz ações inúteis. Bom jogo, mas o robô deixou a desejar. :star:
  • Invasores de Cítia: Aqui o robô tem o seu baralho próprio que irá guiar as decisões. Possui vários níveis de dificuldade, e simula bem a parte que os oponentes interferem com o jogo, pegando cartas e roubando os pontos das invasões. O jogo vira uma certa corrida contra ele. Bem bacana. :star::star:
  • Merchants of the Dark Road: Simula muito bem um oponente com um baralho próprio, e ainda o modo solo possui duas mini-campanhas de quatro cenários cada, com uma divertida historinha. Deu um pouco de trabalho para entender a parte da viagem (uma das ações principais do jogo) mas do resto ele roda bem simples. :star::star::star:
  • Oak: Neste jogo o robô possui um baralho próprio de decisões. Ele faz um pouco de tudo - pega cartas, bloqueia espaços de trabalhador, etc. Pontos negativos é que não possui níveis de dificuldade e é um tanto previsível, achei que faltou “personalidade” (ver o Arnak abaixo) e variabilidade para ele. :star::star:
  • As Ruínas Perdidas de Arnak: A CGE trouxe aqui um dos robôs mais legais que já vi, ele simula muito bem um jogador oponente. É controlado por tiles e possui 6 níveis de dificuldade. Além disso, possui “personalidade” - ações que ele faz melhor do que outras, e isso pode variar de partida para partida. E tem mais: uma campanha solo grátis para download usando só o jogo base, e também uma campanha mais elaborada na expansão A Expedição Perdida (que roda também no modo cooperativo em 2 jogadores, usando o mesmo robô do modo solo). :star::star::star:

Robôs de Alta Manutenção

  • Anachrony Edição Essencial: Precisa imprimir o robô e as regras solo, infelizmente, mas funciona muito bem. Não é o mais complexo que já vi, e uma vez que você joga alguns turnos com ele, fica mais natural. Assim como outros modos solo do David Turczy, tem um bom equilíbrio entre momentos previsíveis e imprevisíveis. Tem 3 níveis de dificuldade, e infelizmente não é compatível com expansões. A comunidade diz que o modo solo melhora bastante com a (difícil de se encontrar e nunca lançada no Brasil) expansão Fractures of Time. :star::star::star:
  • Guerra do Anel: Card Game: A expansão Against the Shadows , não lançada no Brasil, traz o modo solo/coop para o jogo. O robô é um dos mais complexos de rodar, e o manual traz literalmente um fluxograma de decisões para ele. É quase o mesmo trabalho de fazer a sua própria jogada. Por outro lado, eu adoro o jogo e para mim valeu a pena aprender, o jogo funciona muito bem assim, e acho que após mais algumas partidas ele vai rodar melhor. :star::star:
  • Projeto Gaia: o jogo tem um Automa sensacional, controlado por um baralho que começa básico, mas a cada rodada uma nova carta aleatória é adicionada a ele, fazendo cada partida evoluir de forma diferente. Tem diferentes níveis de dificuldade e pode ser diferentes facções, trazendo uma variabilidade impressionante. Só faltou um player aid com algumas das ações mais elaboradas (como construir uma mina) para não ter que ficar com o manual aberto, mas senti que é algo intuitivo e que eu devo decorar após algumas partidas. :star::star::star:
  • Seti: Mais um modo solo fenomenal da CGE. Aqui o robô tem 5 diferentes níveis de dificuldade, e similarmente ao Gaia, possui um baralho simples e vai adicionando cartas mais fortes a ele conforme a partida avança. Uma alteração no modo solo são as peças de objetivo que vão aparecendo e é algo extra que o jogador precisa tentar cumprir (ou decidir abandonar), forçando o jogador a ir para direções diferentes e adaptar sua estratégia. :star::star::star:
  • Tawantinsuyu: Um dos robôs mais complexos de se aprender, mas que para mim valeu a pena. A maior barreira é que o manual (não só do modo solo, mas do jogo todo) passou por revisões, então o ideal é baixar a melhor versão (em inglês) no bgg, e evitar o impresso. Ainda assim ele é complexo, mas simula muito bem um oponente, com personalidades diferentes em cada partida (certa ação que ele é melhor em fazer) e possui uma boa mistora de ações previsíveis e imprevisíveis. A interação com ele é bem legal, com situações do tipo “preciso colocar meu trabalhador aqui antes que ele coloque” ou “ele está para subir no templo, então vou esperar para pegar carona na ação dele”. :star::star::star:
  • Terracotta Army: Quando li o manual, logo pensei: é impossível um modo solo para este jogo, que tem um grid complexo de colocação das estátuas. Bom, David Turczi fez o impossível, e criou um robô que funciona. Porém, eu passei mais tempo nos turnos do robô do que nos meus, e isso é um péssimo sinal. Além disso não tive certeza se fiz tudo certo. A partida foi bem mais cansativa do que divertida. Minha opinião sobre este robô é: “ele existe”. :star:

Ufa! Se você chegou até aqui, parabéns! Agora é a sua vez:
Quais robôs você já experimentou? Quais gostou mais, quais gostou menos?

Abraços robóticos e até a próxima!

2 curtidas

3 automas que eu acho ótimos e sugiro:

1 - Teotihuacan com todas as expansões. É fiddly, mas é uma delícia de jogar

obs.: versão revisada na master set, mas que dá pra utilizar sem nenhum problema na versão normal, só precisa aprender as regras no manual solo da master set mesmo. É só uma revisão de umas regrinhas, não há nenhuma modificação profunda nas regras.

2 - O sistema de bots do Imperium Classics/Legends/Horizons. Cada civ tem um bot com comportamento único. É incrível.

3 - The White Castle - variante Gingkogawa Clan. Uma alteração no bot original que o torna muito mais interessante e similar ao modo multiplayer. Link: https://boardgamegeek.com/filepage/270458/the-gingkogawa-clan

Boa! O Teotihuacan só joguei o base uma vez, mas não solo. Não tenho ele, mas não descarto pegar um para testar. O Imperium eu tenho, ainda preciso testar o solo mas já acho o jogo sensacional em 2p. E o The White Castle eu comprei recentemente, não sabia desta variante, vou até já deixar no esquema pra quando eu finalmente estrear ele.
Valeu pelas dicas!

Impossível ler esse post e não responder com minha opinião que vale pouquíssimo kkkkkk Porque se tu que já jogou 200 jogos solos é noob, imagine eu kkk

Enfim, eu já joguei alguns solos com robôs, porém “todos” foram no BGA, então a parte de manutenção eu não consigo falar nada, porque com tudo automático, na real perde a graça de jogar solo inclusive, pq é bom até quebrar a cabeça pra entender como funciona um robô.

Dito isto,o que define eu gostar ou não de jogar um solo com robô é ele ser fácil ou não de ganhar, porque jogar com “alguém” ruim não tem graça, já que não é desafiador. Bora para os que eu joguei e os porquês deu gostar ou não.

1- Galactic Cruise: é quase que um solo com 2 automas, porque tem um trabalhador que está no tabuleiro só para interagir com os outros players, mas ele não faz nada, só expulsa e/ou ocupa uma localização. E tem a robôzinha mesmo que ta jogando com vc. Abre uma carta e faz a ação que está lá. Eu particularmente não gosto desse jogo no modo solo, porque acaba que você fica numa corrida com o robô e só isso. Tira o brilho do jogo que é pensar em montar a melhor estratégia e o melhor momento para enviar um foguete. Pra mim 4/10, realmente acho muito paia ele.

2- Darwin’s Journey: Tem o Alfred, que é um robô também com as ações determinadas por cartas, muito bom e relativamente difícil de ganhar, principalmente nas primeiras partidas. Ele é um que eu gosto, não o suficiente pra vencer o meu ser mão de vaca e comprar o jogo, mas o suficiente para as vezes jogar solo no BGA, mesmo que seja uma plataforma facil de achar uma pessoa pra jogar contra. Pra mim, 8/10 fácil, não dou 10 porque eu acho que pra um player experiente, ele fica um robô sem sal.

3- Carnegie: Tem robô com cartas ditando as ações, e vou falar que é muito bom e bem desafiador. Eu particularmente nunca consegui ganhar dele kkkk e nem de pessoa normal :frowning: Mas de todos que eu joguei, ele é o que me pareceu mais imprevisível e não pareceu ser um robô que segue um caminho claro. Se não fosse o olho da cara, compraria tranquilamente só pra jogar solo. Pra mim 9/10, não dou 10 porque é caro.

4- Barrage: Também outro que tem cartas que ditam as ações, eu me senti jogando com outra pessoa que estava lendo minha mente. Considerando que barrage é um jogo mais linear e não tem muito rumo pra ir, é fácil o robô te travar e acabar com sua jogada. Eu gostei, ainda que não tenha sido difícil ganhar dele, fica uma partida gostosa. Entrou pra wishlist de jogos físicos. Pra mim 10/10.

5- Criaturas Fantásticas: Mesma coisa dos outros, uma carta dita a ação. Também senti que parece um player de verdade, várias vezes a ação do robô impacta no que vc queria fazer e da até raiva. Como é uma alocação de trabalhadores, é fácil o robô colocar o bonequinho dele, justamente onde vc precisa. Esse é um jogo que tem um fator de sorte maior do que parece, então eu imagino que algumas partidas possam ser mais fáceis que outras. Ele também vai seguindo uma trilha, sendo a primeira metade da trilha de média dificuldade e a segunda metade difícil. Isso meio que te dá uma ideia de quanto vc tem que correr pra pegar vantagem, antes dele começar a pegar no seu pé. Esse jogo foi anunciado aqui no Brasil, não lançou. Mas é um que dependendo do preço, entra na minha lista de jogos físicos também. Pra mim 8/10, possível 10 se vier num preço condizente.

6- Zapotec: Esse é o único da lista que eu tenho físico e adoro. Infelizmente não tem um player-aid pra te ajudar no modo solo, e vc precisa jogar com o manual aberto pra ir lembrando cada combinho que o robô faz. Mas eu imagino que se jogar com muita frequência vc acaba decorando. Ele tem as ações dele ditadas por cartas, mas que variam bastante. Não é difícil ganhar dele, mas também não é como se vc conseguisse ganhar com uma margem muito grande. No geral o robô Cocijobot tem muitas vantagens e vc precisa escolher bem suas próximas ações pra ir tirando a vantagem dele. Ele é um eurocozy e flopado no Brasil, comprei minha cópia por 120 reais e não me arrependo kkkk um 8/10 fácil, não dou mais porque acho que poderia ter um modo mais desafiador e um player-aid (só de não ter isso perde 1 ponto kkk)

É isso, pelo menos o que eu consigo lembrar, não tem nenhum clássico, mas talvez ajude alguém que procure os mais novos solos.

1 curtida

o modo solo do GWT eu acho muito bom também. Bem parecido com o Arnak em termos de dificuldade e manutenção.