Merchants of the Dark Road - Solo Review (#136)

Boas-vindas! Esta é a série Solo Zero - e, especialmente, o meu primeiro review solo!

O Sorte Zero é um canal 100% independente, sem ligação alguma com lojas ou editoras.

Hoje o assunto é Merchants of the Dark Road, um jogo de fantasia medieval de pegar-e-entregar.

Neste jogo você é um mercador das terras de Lumi, onde o inverno é uma longa e fria “noite” que dura 13 semanas, representadas pelas 13 rodadas do jogo. Neste jogo você irá, principalmente: comprar e vender itens, recrutar heróis, e viajar em grupo para entregar itens e heróis em cidades afastadas.

Objetivo

Ao longo da partida você irá receber duas pontuações: moedas e prestígio. A menor dentre elas será sua pontuação base, e após isso você também pode receber alguns pontos extras de vitória (VPs). Ao final da 13ª rodada, o(a) jogador(a) com a maior pontuação vence.

No jogo solo, há um bot que joga como um oponente, e você vence a partida se sua pontuação superar a do bot.

Como é o jogo?

Em cada turno, você irá selecionar um dado para usar - ele irá determinar um bônus (como ganhar 2 moedas, ou fabricar um item) e o valor do seu movimento, em um rondel de cinco espaços, em que cada um fica no meio de duas possíveis ações que você poderá fazer.

As ações que normalmente você faz neste jogo são: adquirir itens, vender itens para heróis (ganhando moedas e ainda fazendo com que eles te acompanhem), receber comissões (contratos de entrega de itens) e, finalmente a ação principal do jogo: Viajar sozinho ou com outros jogadores para entregar comissões (itens) e/ou heróis em uma cidades afastadas. É aqui que vem a maioria dos pontos de prestígio.

Outros componentes importantes são as cartas de deeds (condições de pontuação no final de jogo), dados iluminados (permitem uma ação extra e acessar um dos mercados), o tabuleiro de carroça de cada jogador (quadriculado, onde você posiciona os itens no estilo tetris - que remete ao gerenciamento de inventário de videogames antigos).

Complexidade e feeling

Merchants of the Dark Road é um jogo de complexidade média. Neste momento caindo no 3.3 de 5 no bgg, mas jogando ele me pareceu um pouco abaixo disso (eu diria um 2.8). As regras são no geral simples, diretas e temáticas, e a estratégia fica realmente em otimizar os seus turnos. Existem muitas opções do que fazer, e pelo menos em 1 ou 2 jogadores você não vai ter um turno inútil por mau planejamento ou porque outro jogador pegou algo do tabuleiro que você queria. Não é um jogo apertado, mas fica claro que quem espremer o máximo de eficiência em seus 13 turnos será o vencedor.

A primeira partida solo passou um pouco de 2h de jogo, mas a partir da terceira eu já estava jogando em 1:15h, um tempo bem aceitável para o nível de complexidade.

O tema é muito bem atrelado às mecânicas, e durante toda a partida eu me sinto transportado ao mundo fictício; isto é algo difícil de se realizar em um euro médio, mas este jogo o faz com bastante sucesso. A viagem é o grande destaque, e em cada uma é revelada uma carta contendo uma breve narração de qual evento foi engatilhado, e as suas consequências, e todos os jogadores participantes interagem com o evento.

Modo solo

No modo solo, você enfrenta o PC (Private Concern, a “Firma Privada”). O gerenciamento dele tem uma barreira média de aprendizado, mas depois que você entende como ele funciona, ele roda bem tranquilamente. São 10 cartas com ícones que vão dizer algo do tipo: “O PC tem 4 bens ou menos? Então ele vai comprar bens. Caso contrário, ele pega uma comissão.

No turno do PC você vira uma carta e faz o que ela manda. Ele joga bem parecido com um jogador, um pouco mais simplificado, como um bom bot. A parte da viagem é um pouco mais complicadinha, que é a parte interativa do jogo multijogador, mas ele participa normalmente, te seguindo em viagens que você lidera, e te permitindo seguí-lo em viagens que ele lidera. O bot não é, porém, sempre eficiente, e em algumas partidas ele terminou com uma boa diferença entre moedas e prestígio. Lembra que a pontuação base é a menor delas? Então, o ideal é que terminem o mais próximas possível, e nestas partidas ele pontuou pouco e foi bem fácil vencer.

Desta forma, a dificuldade de uma partida isolada pode variar bem com a sorte do PC. Entra, então, o (desejado ou odiado, dependendo do gosto):

Modo campanha (solo)

O modo campanha é exclusivamente solo, e possui duas aventuras (A e B) e, em cada uma delas, 5 capítulos, dos quais você irá jogar 4 (o último vai depender de uma escolha que você fizer no terceiro).

Na campanha, quanto melhor você se sai contra o PC, mais bônus iniciais ele recebe na partida seguinte, trazendo um sistema clássico de balancear a dificuldade não muito diferente do pandemic-legacy-season-1 . Mas você também irá depositar suas moedas em um “banco” no final de cada partida, e pode comprar alguns benefícios durante o preparo da partida seguinte.

O objetivo da campanha é fazer um total determinado de pontos (somando a pontuação de cada capítulo) no final. Cada capítulo traz uma historinha e pequenas mudanças no preparo ou bônus específicos de pontuação - por exemplo, em uma partida eu precisei encontrar um item específico visitando as Ruínas; em outra, eu e o bot, em um feeling quase semi-cooperativo, tentamos em conjunto entregar heróis em todas as 6 diferentes cidades afastadas. Joguei pela aventura A e achei bem bacana, e melhor do que jogar isoladamente uma partida solo.

Variabilidade

Algo que muda consideravelmente cada partida é que, no preparo, você recebe uma montaria aleatória, que fornece uma habilidade única durante a partida. Você também começa com um herói e um deed aleatórios, mas não acho que estes afetam a partida tanto quanto a montaria.

Na campanha, ter 10 capítulos no total para jogar é super bem-vindo. Realisticamente, com duas campanhas (A e B) de 4 partidas cada você já terá visto quase tudo.

Engine-building?

Algo que sempre gosto em jogos de complexidade média a alta, é a presença de alguma forma de engine-building - durante jogos deste tipo eu gosto de sentir que estou melhorando, me tornando mais forte ao longo da partida. Sim, é completamente pessoal, assim como este review, e assim como todo review.

No Merchants of the Dark Road, este aspecto é sutil. Existem melhorias para a sua carroça, mas você só pode ter uma. E existem os companions que você ganha quando lidera cada viagem, e estes possuem habilidades que podem ser ativadas uma vez por partida.

Não chego a sentir que evoluí muito durante a partida. Em momentos eu me sinto poderoso, sim, por exemplo com a carroça lotada de itens para vender e heróis para entregar, mas logo tudo isso vai embora e eu começo praticamente do zero de novo.

Pensamentos finais

Eu gostei do jogo. Fiz uma campanha (Aventura A) completa - 4 partidas - e ainda joguei uma partidinha em 2 jogadores.

É um jogo lindo na mesa, com um tema bem implementado, e uma complexidade média que demanda um pouco de estratégia. Em alguns momentos a sorte está presente, como a disponibilidade de heróis e itens, os dados (de Ruína e de Oráculo, normalmente pouco acessíveis), e as surpresas das viagens - mas dá pra prevenir ou contornar a maioria das “más” surpresas. O jogo vai consistir em pegar e entregar itens e herois da forma mais eficiente possível. Tem um leve engine-building, menos do que eu gostaria em um jogo deste porte, mas me parece que neste caso foi a quantidade certa do ponto de vista do design e do tema.

O modo solo sem a campanha é interessante, apesar do PC (o bot) não ser sempre eficiente em equilibrar as duas pontuações - mas isso é melhorado no modo campanha, fazendo o desafio ficar mais equilibrado. Falando em campanha, as pequenas variações em cada capítulo são excelentes. Achei divertido aprender o comportamento do bot e tentar manipulá-lo quando possível. A partida em 2 jogadores também foi ótima.

Minha nota: 8/10

Meu sistema de notas apenas usa números pares: 0, 2 e 4 para abaixo da média; 6, 8 e 10 para acima da média.

Bom jogo, bem acima da média, não negaria jogar se me convidassem. É bastante original e me entreteu bastante nas 5 partidas que joguei.

Provavelmente não vou mantê-lo na estante. Tenho muitos jogos ainda aqui para conhecer, e velhos favoritos para revisitar. Além disso, estou na jornada de reduzir a coleção. Mas torço para que ele encontre um novo dono que goste dele como eu gostei, ou mais.

Para dicas de mais jogos solo, confira este post também!

Deixe seu feedback - elogios e sugestões de melhoria são bem-vindos.

1 curtida