Pra mim que tenho jogado a mais de 50 anos é sempre estranho quando vejo alguém dizer “Puerto Rico é um clássico”. Puerto Rico é um jogo que tem ‘só’ 24 anos. Como um jogo tão ‘jovem’ pode ser chamado de ‘clássico’ ?
Clássico pra mim seria um Xadrez, cuja versão atual das regras é de 1475, ficou competitivo no século XIX e teve o desenho de suas peças padronizado em 1835. Gamão também é milenar. Damas. Banco Imobiliário é do início do século passado, talvez seja um clássico.
Mas eu entendo. A velocidade do mundo hoje é muito mais acelerada do que era no século XX, quando eu nasci. Sim, porque tem muita gente no hobby que já nasceu neste século. E para essa turma, eu sou um dinossauro.
Mas a perspectiva que eu tenho sobre os jogos ‘modernos’ é diferente justamente por isso. Eu vivi uma febre dos jogos de tabuleiro que aconteceu aqui no Brasil. Tínhamos literalmente Mais de uma centena de títulos para escolher. Alaska, Top Secret, Supremacia, Alerta Vermelho e mais um monte. Muito além de Monopoly, Detetive e War. E talvez por isso eu não me ‘comovo’ com os vários lançamentos que vemos das editoras atuais, que são voltadas para nós, do ‘nicho’.
Mas sempre é bom poder contar com muitas opções de jogos. Sempre tive muitos jogos. Desde que me lembro. Uma paixão que começou em 1972, com o bom e velho Combate, da Estrela. Que ainda deve estar por aí, apesar do que vimos recentemente sobre o pedido de concordata da Estrela. Aos 14, quando comecei a trabalhar, como muitos da minha geração, eu já tinha algo como 40 jogos. Muitos anos depois, já na casa dos 600 jogos, vi que talvez eu não precisasse de mais opções do que dias do ano.
Me mantive nos ‘clássicos’. E agora vira e mexe incorporo alguma novidade na coleção. Espero que os novos jogos virem clássicos logo.