Eu juro, juro que não é de propósito; mas neste mês foram, novamente e exatamente, 3 jogos adicionados à minha Coleção Solo.
Para dar um pouco de contexto: faz quase um ano desde que me tornei um “jogador solo”. A maioria das minhas partidas são solo. Ainda adoro jogar com pessoas, e uma ou duas vezes por mês isso acontece. Além disso, eu jogo solo pela diversão. Antes, eu já havia jogado solo para “praticar o jogo”, “aprender as regras”, ou até mesmo “por falta de ter alguém para jogar” - mas nestas situações eu não me divertia. Hoje eu realmente curto jogar solo, é o meu momento: eu, a mesa, uma musiquinha, e um jogo para explorar e me divertir.
E com esta mudança, estou em uma constante curadoria, testando os jogos que eu já tinha, passando pra frente jogos que não bateram com meus gostos (ou que não possuem modo solo), enfim, uma transformação. E uma vez por mês posto aqui um mini-relatório, com destaque aos jogos que garantiram seu lugar na estante.
Mas bora falar dos jogos, que é o que você veio ver, certo?
Race for the Galaxy
Race é o meu jogo favorito de todos os tempos, mas ainda não tinha realmente testado ele solo (joguei uma ou outra há muitos anos atrás por curiosidade, mas não lembrava direito). No modo solo, você joga seus turnos normalmente, e faz um turno rápido para o bot oponente.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi o quanto este bot estava à frente de seu tempo - dado que ele foi publicado lá em 2008 na expansão The Gathering Storm. O bot é fácil de gerenciar, bem simplificado e passa a sensação de um oponente. Tem vários níveis de dificuldade. E, para cada planeta inicial, existe um bot que joga de forma diferente. A única coisa que senti falta foi “prever” o que ele vai fazer, como acontece no jogo com mais pessoas; por outro lado, como ele participa das suas ações, ele pode ser levemente manipulado. Ou seja, não é igual a um oponente de verdade, mas é uma variação bem legal do jogo.
Para jogar Race for the Galaxy solo você precisa pelo menos da já citada expansão “The Gathering Storm”, mas dá para incluir também a “Rebel vs Imperium” e a “The Brink of War”.
O Race já ficaria na minha coleção para a eventual partida com mais gente, mas garantiu o seu lugar na coleção solo.
Aerion
Aerion é um dos joguinhos da coleção Oniverse - você provavelmente já ouviu falar do primeiro deles, o Onirim. Eu amo a estética desta coleção: a arte, o tema, os compoentes, são realmente únicos.
No Aerion, o objetivo é construir seis diferentes navios/naves espaciais; para tal, precisamos reunir uma carta de esquemática e uma carta de material (em qualquer ordem), e, por último, uma carta de tripulação. Você faz isso rolando dados e tentando obter sequências estilo Poker. Apesar de ser um jogo de dados, o fator sorte não é tão intenso aqui - quase sempre você irá conseguir uma carta, mas você pode arriscar rolar novamente para tentar uma carta melhor.
Aerion vem com diversas expansões, assim como os outros jogos da coleção. Dá pra ajustar a dificuldade também. É um solo bem bacana e um dos poucos com foco em dados que gostei.
The Castles of Burgundy
Neste jogo você está construindo o seu ducado selecionando peças disponíveis e alocando em seu mapa (tabuleiro individual). Os dados servem para restringir quais peças você pode pegar e colocar. Cada peça tem um efeito diferente e acho ele bastante temático!
Similar ao Race for the Galaxy, Burgundy é um dos meus jogos favoritos para jogar com humanos. Faltava só testar o solo.
Existem dois modos solo para o jogo: o primeiro veio em uma expansão, conhecida como “Expansão #10”, lançada em 2018, e depois inclusa nas edições de aniversário da Alea e na Special Edition da Awaken Realms/MeepleBR. O outro modo solo é o Chateauma, mais novo, exclusivo da Special Edition (Edit: o colega @Christian_Mendes_de acabou de me contar que tem aqui no bgg pra baixar e imprimir caso queira usar com qualquer outra edição do jogo!).
Eu joguei apenas o modo solo da “Expansão #10”; basicamente você joga sozinho, com um “oponente” que apenas remove uma peça do mercado todo turno, de acordo com o dado branco. Existem dois mapas dedicados para este modo, um básico e um avançado. O objetivo do modo solo não é pontuar, e sim conseguir completar o seu mapa antes que o jogo termine - após 25 turnos, assim como o jogo padrão. Algumas regras são alteradas para que você possa “gastar” os seus pontos para acelerar um pouco o preenchimento do mapa. É muito bem feitinho e traz aquela sensação legal do seu quebra-cabeças pessoal.
Um negativo, para mim, foi que no final do jogo existe um fator sorte um tanto predominante - como você não pode armazenar mais do que 3 peças, perto do final do jogo você precisa ser capaz de pegar o que precisa do mercado, e se o oponente remover justo aquela… game over.
A próxima vez que eu colocar este monstrão na mesa, com certeza vai ser para conhecer o Chateauma!
E é isso! Espero um setembro bem mais movimentado. Na minha mesa tem um joguinho chamado Imperium (Classics/Legends/Horizons) pronto para começar - é um jogo que adoro mas só joguei em 2. E provavelmente irei pegar alguns da Estante da Vergonha pra testar. Aí volto pra te contar daqui a um mês!


