A Arte de Construir Mundo Aberto em Jogos de Tabuleiro

Fala, Ludonautas!

A liberdade de abrir um mapa gigantesco como o de GTA V (e quando sair o de GTA VI em 2038 :D) e escolher qualquer direção, qualquer aventura, parecia algo impossível de traduzir para o mundo analógico. Pois é, trazer isso para o tabuleiro parece missão impossível, mas Sleeping Gods chega bem perto de realizar esse sonho analógico! Confesso que sou completamente fascinado por essa temática de mundo aberto em jogos de tabuleiro, e depois de jogar Sleeping Gods duas vezes, posso garantir: ambas as experiências foram incríveis e surpreendentemente diferentes uma da outra. O designer Ryan Laukat criou algo que parece mágica — um atlas de 19 páginas interconectadas que funciona como um oceano vivo, cheio de ilhas misteriosas, histórias escondidas e surpresas que você provavelmente nunca verá todas.

O segredo está no sistema de atlas que transforma cada página em apenas uma pequena porção do mundo disponível para explorar. Quando seu navio, a Manticore, chega na borda de uma página, você literalmente vira para a próxima folha do atlas e continua sua jornada pelo lado oposto — é como se o mundo continuasse infinitamente além do que seus olhos podem ver. Com 26 páginas coloridas repletas de mares azuis, baías secretas, ilhas inexploradas e terras não mapeadas, o jogo oferece uma liberdade de navegação que poucos tabuleiros conseguem replicar. Um jogador relatou ter explorado apenas 1/5 do mundo base em uma campanha de 30 horas, conseguindo apenas 8 dos totens disponíveis. Isso significa que cada partida é genuinamente única — você faz suas escolhas, navega para onde seu coração mandar, e aceita que nunca verá tudo.

O que torna essa experiência ainda mais especial é como o jogo respeita seu tempo enquanto mantém a sensação de aventura épica. Você pode jogar sessões de 1-2 horas, salvar seu progresso no diário de bordo e retomar exatamente de onde parou — como pausar um videogame de mundo aberto. A maioria dos jogadores precisa de 3 ou mais campanhas completas apenas para ter CONSCIÊNCIA de tudo que existe no jogo, quanto mais experienciar todo o conteúdo. Sleeping Gods prova que é possível sim trazer aquela sensação de “mapa vivo” para o tabuleiro, onde cada decisão de virar à esquerda ou à direita pode levar a aventuras completamente diferentes.

O verdadeiro triunfo de Sleeping Gods está em criar a ilusão perfeita de liberdade dentro das limitações físicas do papelão e papel. Enquanto GTA V precisa de gigabytes de processamento para simular seu mundo aberto, Ryan Laukat conseguiu capturar essa mesma essência usando apenas um atlas inteligentemente conectado, um livro de histórias de 172 páginas e mais de 200 cartas de missão. É a prova de que às vezes a tecnologia mais impressionante não precisa de pixels — só precisa de design criativo e uma pitada de imaginação. :wink:

Abraços!

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